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domingo, 27 de fevereiro de 2011

DOR DE BARRIGA FAZ IMPLODIR MUNDO ÁRABE

Copyright @ Koíti Egoshi, 27 de fevereiro de 2011
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Permitido o uso desde que citada a fonte

No Iêmen povo furioso exige a saída do presidente Abdullah Saleh
Fonte: Sequeira e Villaméa (2011, p. 80)

Como bem analisam Sequeira e Villaméa, “o mais notável nas revoluções árabes é que elas são movimentos genuinamente populares” (2011, p. 85); “mais do que a língua, a religião ou o fato de estarem flutuando sobre as maiores reservas de petróleo do mundo, o que vem unindo os povos árabes neste início de 2011 é a busca por melhores condições de vida” (2011, p. 83) e “uma coisa é certa: os árabes estão se acostumando com algo novo, e ainda terão que aprender a conviver com novas liberdades e lutar contra o veneno das religiões” (2011, p.86).

Sim, é pura verdade. Mas antes de partir em “busca por melhores condições de vida”, há uma verdade anterior que move revoluções: a fome.

Barriga subnutrida pode até agüentar roncar por anos e décadas, mas quando começa a doer, povo vira bicho-papão. Porque estômago vazio começa a comer a si próprio.

É o que está acontecendo no mundo árabe. E o mesmo aconteceu há uns vinte anos atrás, com os alemães do Leste.

Dezesseis anos após a derrota do Roberto (acrônimo de Roma, Berlim e Tóquio, respectivamente capitais da Itália, Alemanha e Japão) para a Eusa (acrônimo de Estados Unidos, União Soviética e Aliados), foi construído em “13 de Agosto de 1961” (Wikipédia, 2011) o Muro de Berlim que dividiu essa cidade e o país alemão em duas partes: a Republica Federal da Alemanha (pró-Estados Unidos) e a República Democrática Alemã (pró-União Soviética).

Em “9 de novembro de 1989” (Wikipédia, 2011), após 28 anos de profundas crises econômicas e distúrbios civis, o governo da República Democrática Alemã jogou a toalha: permitiu que seus cidadãos orientais visitassem seus irmãos ocidentais e assim, começaram a derrubar o Muro de Berlim.

Mas, o que realmente derrubou o muro sem dúvida, foi o enorme contraste econômico-social entre o leste (paupérrimo) e o oeste (rico), decorridos 70 anos após a queda dos czares da Rússia e tomada de poder pelos socialistas de Vladimir Lênin em 1919.

Quando bisbilhotavam o outro lado do muro, orientais viam seus irmãos ocidentais passeando felizes da vida, de Audis, BMWs, Mercedes e Ferraris. Enquanto que eles, famintos, maltrapilhos e mal pagos, estavam nas filas de espera, para pegar a ração do dia para sobreviverem.

Assim, bastaram mais dois anos depois, em 1991, para que toda a União Soviética implodisse. Porque era demais para agüentar tamanha diferença de qualidade de vida, entre aquela imposta pela ideologia comunista, e outra cada vez mais aprazível, proporcionada pela prática capitalista!

É essa brutal diferença de qualidade de vida que cidadãos árabes estão sentindo na pele hoje. Tudo parece indicar que, como alemães orientais (vítimas da ideologia comunista), cidadãos árabes estão começando a acordar de um sono profundo provocado pelo dogmatismo religioso do qual se valeram os tiranos para dominá-los e explorá-los, por décadas a séculos.

E tanto quanto os alemães orientais, os árabes começaram a bisbilhotar o outro lado do muro – desta vez, do muro virtual. Navegando pela Internet, perceberam que, cidadãos dos Estados Unidos e outras nações em franco progresso, usufruem excelente bem-estar geral, enquanto nos seus respectivos países, somente seus espertos e arrogantes governantes gozam excelente qualidade de vida.

Daí, essa onda libertária – que não só está ganhando vulto entre árabes, mas também está se alastrando para o resto do mundo onde cidadãos ainda não têm um mínimo de qualidade de vida mais digna.

Acordem, irmãos oprimidos de todos os cantos do mundo! Vocês é que se deixaram escravizar!

Libertem-se de sua servidão voluntária e tomem cuidado para não caírem nas mãos de outros tiranos oportunistas!

Atentem para esta sábia frase que La Boétie (1530-1563) nos legou: “É o próprio povo que se escraviza e se suicida quando, podendo escolher entre ser submisso ou ser livre, renuncia à liberdade e aceita o jugo” (LA BOÉTIE, 2009, p. 34).



Referências Bibliográficas

LA BOÉTIE, Etienne de. Discurso da Servidão Voluntária. São Paulo: Martin Claret, 2009.

SEQUEIRA, Cláudio Dantas e VILLAMÉA, Luiza. A Epidemia da Liberdade. Revista IstoÉ, 2 mar 2011, ano 35, nº 2155, pp 80-88. São Paulo: Três, 2011. Também disponível em http://www.istoe.com.br/reportagens/126147_A+EPIDEMIA+DA+LIBERDADE+PARTE+1> e <http://www.istoe.com.br/reportagens/126165_A+EPIDEMIA+DA+LIBERDADE+PARTE+2>. Acesso em 27 fev 2011.

WIKIPÉDIA. Muro de Berlim. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_de_Berlim. Acesso em 27 fev 2011.







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